13 de mar. de 2010

Viva a Democracia Chinesa!

Não acredito no que eu vi. Realmente, eu ainda não acredito no que eu vi. Eu imaginava que Axl, quilos mais gordo e anos mais velho, poderia comprometer o espetáculo, e ainda que o restante da banda não faria um trabalho legal, assombrados por fantasmas do passado de sucesso do velho Guns. Mas não foi isso que eu vi. Temos um novo Guns, tão bom quanto o velho Guns, que eu não tive a honra de ver ao vivo. Mas teve mais antes disso. Muito mais. Tivemos Uberro, que eu não sei descrever do que se trata. Foi simplesmente, um berro, e nem conseguiu ecoar. A noite começou mesmo com o Sebastian Bach, que o público tratou carinhosamente de Tião, vide camiseta. A criatividade do brasileiro é uma coisa impressionante. Mostrou ser dono do palco, mas não conseguiu agitar a galera com sua música, exceto quando desfiava clássicos do Skid Row. Ainda deu ao Cachero seus 15 segundos de fama, com a camisa dos caras de BD, da nossa van do mal. Interagiu com o público, correu, gritou. Rodou o microfone com toda força. Trocou de roupa seguidas vezes. Ainda arriscou algumas palavras em português. No final, foi bastante aplaudido, e a mim, particularmente, agradou. Acho que a maioria dos presentes também. Mas era hora de partir, e ele sabia que era só aquecimento para o prato principal da noite.

E o "principal" da noite iniciou os trabalhos as 22:55 horas, e o público que aguardava pacientemente, entrou em extâse, afinal, foram anos esperando esse momento. O Guns mostrou a que veio para a selva, e o pessoal da selva gostou do que viu. Usando e abusando da pirotecnia, o novo Guns deu seu show: fogos, explosões, papel picado, telão gigante acompanhado de telões menores do lado, com imagens de todo tipo: fórmula 1, flores, suicídio, a lua, helicópteros. Era a imagem aliada ao som. Solos e mais solos, com direito a um piano que saia de debaixo do palco. Quinquilharias eram jogadas aos montes, devido a proximidade do palco com a plateia. Axl, como sempre, ignorava tudo. Também trocou de roupa várias vezes. Símbolos sagrados do velho Axl não faltaram: a bandana vermelha, correntes, pulseiras. A camisa aberta na frente, em parte pelo intenso calor que fazia no ginásio. Até um ridículo chapéu de plástico branco. A voz, que diziam que tava falhando, era a mesma de sempre. A acústica não foi um problema: ouvia-se bem do camarote (assim definido por nós, pobres mortais, a boa e velha arquibancada). Ouvimos, e vimos, um happy birthday to you para a Silvia Poppovic, que aparentemente, ficou um pouco constrangida, mas gostou da homenagem.

Axl não arriscou nada em português. Não precisava, afinal o público já estava ganho. Mas ainda conseguiu ir além, mostrou uma bandeira de Minas, antes de sumir de vez do palco.
Acho que eles ainda voltam ao Brasil um dia. Espero que isso aconteça. E que dá próxima vez, que Axl tenha cuidado com as coisas que pega do chão. Pode ser perigoso. Um pequeno deslize. Tá perdoado. E viva a democracia chinesa!