28 de out. de 2010

Eu conheço um lugar...


Eu conheço um lugar onde o cliente sempre tem razão, mesmo quando não têm razão.

Eu conheço um lugar onde a bruxa envenenou o rei.

Eu conheço um lugar onde o amador mostra ao profissional como fazer.

Eu conheço um lugar onde o mau pagador é bem recebido.

Eu conheço um lugar onde a taxa básica é 1%.

Eu conheço um lugar onde o individualismo sobrepôs o senso coletivo.

Eu conheço um lugar onde estar presente é importante, mesmo que você não esteja fazendo nada.

Eu conheço um lugar onde falta de quase tudo um pouco.

Eu conheço um lugar onde ninguém conhece Taylor.

Eu conheço um lugar onde não é o cliente quem paga a conta.

Eu conheço um lugar onde o tempo é impiedoso.

Eu conheço um lugar onde o pão é verde.

Eu conheço um lugar onde quem chega cedo não bebe água limpa. Nem quem chega tarde.

Eu conheço um lugar onde a vigilância é total.

Eu conheço um lugar onde todos sabem que não tem futuro.

Eu conheço um lugar onde os tentáculos do Leviatã assustam.








Não é comédia. Nem tragédia. Nem poesia. Nem mentira. É só a realidade.










Eu conheço esse lugar.

Eu só não conheço o fim dessa história.



29 de ago. de 2010

Rio de Janeiro

Diário de bordo, data estrelar 2 do 9 do 8 do 2 mil do 10. Depois de muito tempo, acho que é hora de voltar a escrever. Pensava muito em voltar a escrever, mas tava faltando idéia. Como pra mim hoje é uma data simbólica, eu disse: "hoje vai", até porque esse blog não pode ficar às moscas, enquanto muitas coisas acontecem por aí. Hoje faz exatos 30 dias de minha estadia no Rio, durante minhas (micro) férias. Então aqui se torna uma espécie de diário de bordo, com pequeno atraso de um mês. Pois bem. Foram poucos dias, pouco tempo. Mas foi o máximo. É a cidade mais incrível que conheço. Um ambiente sensacional, apesar dos contrastes que ainda decretam um clima de medo às vezes. A vida é boa mas só vive quem não tem medo. Não estamos em Bagdá, apesar de a poucos dias, em São Conrado - onde eu estive, acreditem, voando! - mais um conflito da guerra civil carioca ter acontecido. Agradeço aos que ficaram preocupados com minha segurança. Mas, vejam só, cá estou eu. E bem, obrigado. Bem até demais.

Uma viagem pelo Rio.

Nesses quase quatro dias que lá estive, vivi fortes emoções. Puxa, um abraço do Cristo, o Redentor. Sindicato do Chopp. Orla de Ipanema. Posto 9. Arpoador. Copacabana: Drummond estava lá, dessa vez com os óculos no lugar. A imponência do Palace. Difícil dizer quantas coisas eu vi, num dia em que o Rio não parecia o Rio: termômetros marcando 23º. Vento. Chuva. Os ingleses de blusa na praia (???). Não encontrei a Garota de Ipanema. Mas também, andando pela Farme de Amoedo, dificilmente encontraria, a menos que ela estivesse de mãos dadas, com outra garota (só a tempos depois, fiquei sabendo pela net, quem são os frequentadores dessa rua). Estação Cardeal Arcoverde. Eu não nego minhas origens. O cara do interiorrrrr ficou perdido na metrópole. Errei umas ruas. Ainda bem que ninguém sabe disso (agora já era). Esse foi só o primeiro dia completo. Tinha mais. Muito mais.

Um abraço do Cristo.

No outro dia: Pão de Açúcar. O bondinho dá medo na subida. Um lugar sensacional. Aos cariocas de todo o mundo. Inclusive aos cariocas de coração. Maracanã. Um dos lugares que mais me emocionou. Os grandes momentos do futebol estão registrados lá. A descida do túnel que leva ao gramado, o mesmo usado pelos times, me fez lembrar os (velhos) tempos de boleiro. Um por todos, todos por um! Foi de arrepiar. Deu vontade de ver uma partida, com casa cheia. Ficou para a próxima. Uruguaiana. Afinal, não podia voltar sem fazer compras né...

E o Cristo ressuscista por entre as nuvens.

O último dia foi o mais louco. A idéia fixa de voar. Tem que ser hoje, eu dizia. O tempo ajudou. Situações acontecem sobre um calor inominável. Foi o dia mais claro - e quente - de todos que eu estive por lá. A altura dá medo. Aliás, se você não gosta de altura, não vá ao Rio. Tudo por lá é alto, literalmente. Da rampa então, Jesus! A perna treme. No entanto, o voo é tranquilo. O vento é forte. A sensação de liberdade é incrível. O segredo é não olhar para baixo. Olhar para o horizonte. Para o infinito. Só depois do voo o Ricardinho da Rampa perguntou meu peso. Acho que ele fez bem. Agora sou Aluno Aspirante do Clube São Conrado de Voo Livre. Nunca vou passar dessa categoria, mas se puder voar novamente um dia, eu farei.

Aluno Aspirante do Clube São Conrado de Voo Livre.

Depois de São Conrado, Barra. Barra Shopping. Praia da Barra. A volta pra Botafogo foi incrível: por toda a orla. Pra encerrar o dia, o ultimo da viagem, parada obrigatória no botequim do shopping, onde o chopp tava na base do 2 por 1, ai já viu né, ainda mais na companhia dos "caras do Amapá", fui embarcar de volta pra Minas chapado. No caso de despressurização da cabine, máscaras cairão... Bêbado é fogo. A volta pra casa foi boa, mas as vezes ainda dói lembrar do Rio. Saudades demais. Faltou um monte de lugares legais pra conhecer: a Lapa, a Lagoa. Um monte de gente legal pra conhecer. Saudades do pessoal do bem que eu cruzei por lá. Pessoas que em sua grande maioria, não verei nunca mais, mas que desejo tudo de bom para eles. Eles se tornaram companheiros nessa viagem, onde a maior tristeza foi a distancia dos amigos, da família.

Pão de Açúcar. Ou para nós mineiros, simplesmente Rosca.

Agora é continuar como sempre foi, namorando o Rio pelo Google Earth. Pela internet. Planejar as próximas férias. Afinal, se o Rio não é para principiantes, ele continua lindo!


P.S.:
Dedicado a todos os meus Amigos. Fiquem sabendo que cada um de vocês, cada um com seu jeito, mesmo que as vezes eu não demonstre, vocês são especiais pra mim. Em especial a Rafaella, que me aguenta todos os dias na Faculdade.

13 de mar. de 2010

Viva a Democracia Chinesa!

Não acredito no que eu vi. Realmente, eu ainda não acredito no que eu vi. Eu imaginava que Axl, quilos mais gordo e anos mais velho, poderia comprometer o espetáculo, e ainda que o restante da banda não faria um trabalho legal, assombrados por fantasmas do passado de sucesso do velho Guns. Mas não foi isso que eu vi. Temos um novo Guns, tão bom quanto o velho Guns, que eu não tive a honra de ver ao vivo. Mas teve mais antes disso. Muito mais. Tivemos Uberro, que eu não sei descrever do que se trata. Foi simplesmente, um berro, e nem conseguiu ecoar. A noite começou mesmo com o Sebastian Bach, que o público tratou carinhosamente de Tião, vide camiseta. A criatividade do brasileiro é uma coisa impressionante. Mostrou ser dono do palco, mas não conseguiu agitar a galera com sua música, exceto quando desfiava clássicos do Skid Row. Ainda deu ao Cachero seus 15 segundos de fama, com a camisa dos caras de BD, da nossa van do mal. Interagiu com o público, correu, gritou. Rodou o microfone com toda força. Trocou de roupa seguidas vezes. Ainda arriscou algumas palavras em português. No final, foi bastante aplaudido, e a mim, particularmente, agradou. Acho que a maioria dos presentes também. Mas era hora de partir, e ele sabia que era só aquecimento para o prato principal da noite.

E o "principal" da noite iniciou os trabalhos as 22:55 horas, e o público que aguardava pacientemente, entrou em extâse, afinal, foram anos esperando esse momento. O Guns mostrou a que veio para a selva, e o pessoal da selva gostou do que viu. Usando e abusando da pirotecnia, o novo Guns deu seu show: fogos, explosões, papel picado, telão gigante acompanhado de telões menores do lado, com imagens de todo tipo: fórmula 1, flores, suicídio, a lua, helicópteros. Era a imagem aliada ao som. Solos e mais solos, com direito a um piano que saia de debaixo do palco. Quinquilharias eram jogadas aos montes, devido a proximidade do palco com a plateia. Axl, como sempre, ignorava tudo. Também trocou de roupa várias vezes. Símbolos sagrados do velho Axl não faltaram: a bandana vermelha, correntes, pulseiras. A camisa aberta na frente, em parte pelo intenso calor que fazia no ginásio. Até um ridículo chapéu de plástico branco. A voz, que diziam que tava falhando, era a mesma de sempre. A acústica não foi um problema: ouvia-se bem do camarote (assim definido por nós, pobres mortais, a boa e velha arquibancada). Ouvimos, e vimos, um happy birthday to you para a Silvia Poppovic, que aparentemente, ficou um pouco constrangida, mas gostou da homenagem.

Axl não arriscou nada em português. Não precisava, afinal o público já estava ganho. Mas ainda conseguiu ir além, mostrou uma bandeira de Minas, antes de sumir de vez do palco.
Acho que eles ainda voltam ao Brasil um dia. Espero que isso aconteça. E que dá próxima vez, que Axl tenha cuidado com as coisas que pega do chão. Pode ser perigoso. Um pequeno deslize. Tá perdoado. E viva a democracia chinesa!